a vontade era de escrever um bilhete com aquela poesia do Bruno do paperblackcell -pouco depois do autocarro sair da gare, ela, no caderno escuro, escrevia a lápis: dentro de dois dias, chegar será o meu modo de dizer sim. (e sublinhou a palavra) - mas aí eu não escrevi, nem avisei e eu cheguei. e você não estava. sem papel ou palavras, serviu a folha da agenda, com um passei por aqui de carteiras de colégio. serviu? até te chamei alto. será que você dormia? será que dormia só? será que não queria? será... sei lá. saí dali não com a vista embassada como eu poderia ter imaginado dos filmes cheios de portas fechadas e escadas compridas. saí lúcida e comovida ao mesmo tempo. ciente, talvez. quando mais tarde você me chamou, o mundo já tinha rotado dez mil anos em uma hora e vinte e dois minutos, e o estômago junto. as palavras nunca bastam. não soube mais o que fazer. me deitei ao seu lado. fiquei ali tentando sentir o coração bater muito. falar sem tremer a voz. reconhecer. mas eu não te conheço. e às vezes sua dor parece fingida. e ainda havia um fio de cabelo grudado na sua parede. não estava lá antes. meu? pensei que podia ser. peguei, deslizei na textura. bem podia. mas bem podia ser eu me enganando de novo, trocando evidência por sinal e sinal por supertição e supertição por coisa de gente irracional. eu que não sou irracional... bem podia.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário