terça-feira, 27 de outubro de 2009

cabe tanta coisa nesse meu dia longo
mas não cabemos nós outros

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

about failure

I fell in love

I felt in love

I fall apart

I fall fall fall fall fall fail

fuck!

Adília Lopes, Cosac & Naif, 2002, p. 166

"Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico"

* é que aos livros tem de se dar alguma utilidade

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

doce nas deshoras

and I miss you even more now, my friend
in these long and longing nights, I just miss you so much
just someone I can talk to, baby
and don't change you hair
again
cause I haven't even seen the last fashion of yours
won't you ever come to see me?
need your kaleidoscope glasses all over me
showing what I can't see by my own

solta as unhas

entrou o verão
com ele a insônia
e o coração com ânsias de desvairado

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

perigosonho

fosse fácil me livrar desses sonhos malditos
eu acordaria como quem dormiu o sono justo da causa própria

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Lei de contravenções penais

Perturbação da Tranqüilidade
Art. 65 - Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranqüilidade, por acinte ou por motivo reprovável:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou multa.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mel books

sometimes, I just miss you.
and I miss you badly, other times.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

inventário

Saiu com o pote de líquido para lentes de contato e dois livros encapados embaixo do braço. Bateu a poeira, limpou: isso é meu. O bom de ter pouca coisa é ter pouco pra carregar. Ainda se tivesse esquecido algum pertence, haveria esperança. Mas nem um grampo me deixou. Toda a casa que montei não tinha nada de seu, a não ser os dois livros e o pote de líquido para lentes de contato, tudo cabendo debaixo de um braço só, numa única viagem. O amor tem um tempo pra acontecer, ela me disse uma vez. Gostava de Vinícius.
Desgraçado.

Bruna Beber - ap.

na minha casa você pode flagrar alguém se escondendo da rotina num quarto escuro
e batendo a cinza do cigarro na janela
enquanto espia as roupas dançando em silênciono varal da área
às três da madrugada
você pode flagrar alguém preocupado
segurando uma caneca com vinho vagabundo
dormindo fora de hora
pensando demais na vida e no tédio que é essa falta de paixão.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

querubim safado

Oh my destiny is very tragic
You see, I fell on this hole wen I fell for him
and now it seems a crap carefully planed by some holy justice
some envious sexless angel, bored to heaven, decided to exercise a little
on me
oh what a tragedy

top top top uh

chita macaquita malagueta na sua priquita

esse papo de tiete é mais chato que gilete
esse papo de chacrete é mais chato que joanete
esse sapo de topete é mais chato que chiclete

quinta-feira, 12 de março de 2009

eu

uma dona infeliz
que tinha um tufão nos quadris

sábado, 7 de março de 2009

bendito

Disse que ia montar uma casa mim, com tudo dentro, geladeira, roupa, comida. Disse que ia me tirar daquela vida... qual o quê. Me botou foi num quartinho de cem reais por mês, arranjou um fogão “praticamente novo” e o colchão da gente dormir já veio encapado com um lençol. “Praticamente novo” meu ovo. Num sabe que isso é coisa de mulher? Que homem que vai fazer ou mandar fazer capa pra colchão? Minha amiga, esse é irmão desse. Mas... eu fui, né? A vida aqui na zona tinha ficado difícil, entrou um comandante, coronel, sargento, sei lá... só sei que tiraram o Bento das rondas daqui. E sem o Bento eu tinha que dar de graça pr’aqueles nojentos. Olha, eu dou pra qualquer um, até de graça, mas não me bote um polícia não... Chega me arrepio. Aí fui, né. Ele ainda me deu uns trocados pra comprar umas coisinhas, deixar a casa com a minha cara. E bem ou mal a gente ia vivendo. Não era legal dar sempre pro mesmo cara, ainda mais um que me batia por causa do pau pequeno. Mas era melhor com ele que com a polícia. Éca. Aí pouco tempo depois a Dizinha, minha irmã, veio passar uns tempos comigo. A mãe botou ela pra fora, ela não tinha pra onde ir e eu me comovi. Tivesse tido alguém por mim talvez minha vida fosse outra. Então botei a Dizinha dentro de casa. Só que os olhos da boyzinha foram crescendo pra cima das mixarias que aquele safado me dava, do mesmo jeito que os zarolhos do safado foram crescendo pra Dizinha. Tava já vendo a hora dele botar ela no meu lugar. Pois. Dito e feito. Não deu um mês com a danada lá em casa, o safado veio conversar comigo, dizer que o amor michou. Que mané michou, seu porcaria, eu lá entendo essas coisas? E quem falou em amor? O que ele queria era deixar de pagar o quartinho e levar as coisas com ele. Ah... mas isso de jeito nenhum! Nesse dia eu puxei a faca e perguntei se ele queria levar uma furada no peito. Que se quisesse, era só dizer, mas que ele não ia levar nada daquela casa, só a roupa do corpo e a boyzinha, e ainda cobrei adiantado o aluguel de seis meses. Veado... Ele saiu por aí dizendo que foi assaltado, coitado, foi bater na manzuá sem um real no bolso, com medo das minhas amizades. Homem frouxo é o pior que tem. Mas eu fui burra. Meu deus, como eu fui burra. Do fogão que ele comprou a Seu Valdir o veado só pagou dois meses. O resto sobrou pra mim. E aí então veio o Seu Valdir... fazer o quê? Não era tão legal assim, mas pelo menos não era polícia.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

um armário pequeno

Escovando os dentes ali, de frente ao espelho, pagava de protagonista. Cada gesto fotografável, descritível, pintável. Um olho meio triste, meio distante, meio pedindo. Tudo podia virar objeto. Olhava pra um ponto qualquer, mas afinava os ouvidos. Cada passo, cada espirro, cada mínimo gesto me parecia um evento. E saía pisando descalça sobre os pêlos cortados sobre o chão. Devia ter uma coisa muito ruim naqueles pés, porque depois que o dedão largava o chão, nada mais havia pra trás dele. E se vestia lentamente, olhava os seios no espelho da maçaneta, subia e descia. Tô gorda. Tô magra. E jamais alguém lhe faria uma declaração de amor que superasse as suas próprias.