quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

tenho tomado muitas aspirinas,
lido revistas velhas em salas de espera,
contado os dias para que o salário entre na conta,
atentado para anúncios de aluguel em janelas de apartamentos,
e visto muitos filmes ruins na tv a cabo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

everytime you go away you take a peace of me with you

uma vida é muito pouco demais
para todas as pessoas que eu queria conhecer
e amar

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

o lugar dos ímpares de brincos perdidos

e fico a cata de poucas e precisas palavras pra minha comoção e transtorno caberem na concisão das tuas leituras de poesia concreta. e de nada serve toda a parafernália linguística estocada aos anos. eu lhe subestimei. eu não sei explicar, mas a melancolia também tem o seu dedo. não me ligue nunca mais essa semana, por favor. não tenho maturidade pra isso.
eu cabia na medida dos teus lábios e mãos.
hoje não sei nem por que caminho me comunicar.
pra onde vai o amor que não é gasto?

sexta-feira, 16 de julho de 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

pautas

"Corrinha faz um poema:

Havia duas pautas,
apenas,
nos meus cadernos de caligrafia,
por isso jamais chegarei à essêcia da dor."

(SOLHA. Relato de Prócula. SP: A Girafa editora, 2009)

Questão de tempo ou bebida.

"C'est rien dur à tuer un amour!...
mais on y arrive toujours
avec une bonne bouteille!"
(Adolphe Willette)

domingo, 30 de maio de 2010

nada como um tempo após um contratempo

Mãe, ontem foi sábado à noite e por incrível que pareça eu não tive insônia e dormi 8 horas. Sim, os sonhos de sempre, claro, tinha um trem que eu ia perder, um compromisso e umas provas por corrigir, parecia um filme do wong carái. Mas dormi tão bem e o domingo amanheceu num azul tão amplo que eu tinha me esquecido do tempo que fazia que eu não olhava pro céu, sabendo que era céu. E de fato não vale a pena ficar chorando resmundando até quando... basta.
Então, eu vou pro interior, arranjar um emprego e talvez até um matutinho por lá. Se eu pegar filho, dada a falta do que fazer, te mando uma foto da minha barriga, e aí você manda de volta todo o enxoval que achou que eu nunca usaria. Mas se eu te mandar a foto de uma lagoa, compra um maiô que em dois dias eu buzino na sua porta, pra você descer com uma cesta de pique-nique.
Te amo,
L.

quarta-feira, 17 de março de 2010

chaveirinho

de dentro do meu nonsense dilacerado
eu só via no canto do olho uma coisa balançando na ignição
e estava escrito 'love'

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"aqui é festa, amor"

faça-me o favor de não me ver quando eu passar
tire esse sorriso pra bem longe do meu caminho
que o trator tá apressado, tá pesado, tá cansado

tá desvairado

pelo que vem depois

domingo, 7 de fevereiro de 2010

e digo confusões no gravador

Eu ligo ligo ligo ligo dez mil vezes e você não atende a pôrra desse telefone. Essa secretária eletrônica de merda, dando nos nervos, mandando sempre o mesmo refrão de que você não está, não vem. E eu querendo dizer que eu errei, que eu errei tanto, que agora eu sei, que você me desulpe pelo amor da sua mãe, da sua irmã e daquele filho que você acha que é seu, que você me perdôe ou eu mando uma praga pra todas essas gerações, não, mando nada, mando coisa nenhuma, meu bem, eu faço até almoço pra sua galera, mas atende essa PÔR- piiiiiiiiiiiiiiii.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

desencanto

aí ele tava lá, gordo, com a pele sebosa, falando alto e com a boca cheia.

me deixa gozar me deixa gozar me deixa gozar

tá entendendo quase nada do que eu digo
eu quero ir embora eu quero dar o fora

... e não calar com a boca de feijão.

dia primeiro

e se eu ficasse bem bem bem gripada no dia do meu aniversário?
mas é mais fácil se esconder no meio da festa.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

lua de fel, lua de mel e a horta que ainda não presenteei.

Primeiro Paulo diz a Mauro, que duvidava de Paulo, que Paulo é digno de sentimentos dedicados e exclusivos. Mauro, para operação de tal risco, teve que cegar um pouco, afinal trata-se de fé fede fidúcia... Sentimento aplicado, Paulo se cansa primeiro. Quem pede muito sempre pode se cansar antes. Grande pílula de sabedoria. Paulo se sufoca. E se é para traçar raízes, que se fale de Mauro. É muito Mauro, o tempo todo. Compreensível. Então Mauro é obrigado a diversificar, coisa natural para Paulo, não para Mauro. E é sofrido, no início. Ninguém gosta de ver quebrar a inércia com o rejeito. Ninguém gosta. Mas Mauro vai gostando e entra em outra inércia de gostares e de quereres. É outro o Drummond da vez: mais vasto é meu coração. Seria lindo, se, depois, Paulo não precisasse se sentir digno (de investimento) novamente. E Mauro até acredita na parte que lhe cabe deste latifúndio, mas Mauro agora. Mauro ficou esperto.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

eu

mais uma mulata triste que errou

ressaca

e haja esperança pra caber tanta esperança em um calendário vencido, um calendário novo e horários muito parecidos. trabalha, nêga, trabalha. suga o CO2 de todo santo dia, sua, libera na urina, que a vida vai melhorar. ainda há de ser mais que isso. e aquele ano novo saudável fica pra quando estiver sozinha de novo. e como é difícil ser 2. estar em 2. querer ser 2. e não ser nem 1, às vezes. às vezes sufoca mesmo. mas também ninguém disse que ia ser fácil. inspira, expira. espirra. espicha. mestiça. me atiça. fosse ao menos uma solução, já que não é uma rima. e esse tanto de traça na parede. pense. bichinho persistente. reproduz rápido. como será que se reproduz com toda aquela capa. deve ter que sair de casa. todo mundo sai um dia. partir é bom, é saudável. a pessoa respira limpo. o pulmão se anima. pena que eu seja saudosista demais. tem muita roldana no processador de memória. deve ter sido um saudosista que inventou a expressão. tem gente que nem processa nada. ignorance is bliss, já diria o zé. mas as lembranças... têm que se tornar várias outras coisas até voltarem a ser elas mesmas, só que mais magrinhas. é desesperador, quase sempre. deve vir daí a vocação pra homem-bomba, pro flit paralisante qualquer. putz. lembrei do Suplicy cantando um rap. o único que ele sabe, provavelmente. tá, eu não sei nenhum, mas eu não digo que sei. ele LÊ o rap em tudo que é palestra pra estudante ou movimento social. mas admito que mais funciona que desagrada. eu podia ter um número. um número perfeito, como um pretinho básico. uma palavra mágica, um flit paralisante, surdez intencional, poderes teletransportadores. um número bom. algo que fosse do meu número.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A Alberto da Costa e Silva, por Milton Torres.

este pomo, fruto do meu próprio estar,
é verde por relapso. e amarelo
que diz da madureza
encarnado nos ressaltos
onde o sol bate e cresta-o, se não cediço - quse roxo
das cosias preteridas