domingo, 31 de agosto de 2008

ela me disse que trabalha nos correios e que namora um menino eletricista

Querem acabar comigo
Nem eu mesmo sei porque
Enquanto eu tiver você aqui
Ninguém poderá me destruir
Sayonara é manicure e frequenta minha casa há bem uns dez anos. Sayonara me deu sua coleção de vinis, cheia de rita lee, chico buarque e às vezes um benito de paula ou um do queen.
Querem acabar comigo
Isso eu não vou deixar
Me abrace assim, me olhe assim
Não vá ficar longe de mim
Sayonara foi meio porra lôca quando jovem, ainda assim teve dois filhos e, na hora de botar o nome de um, deu o nome do bandido no lugar do nome do mocinho do crime da vez.
Pois enquanto eu tiver você comigo
Sou mais forte e para mim não há perigo
Você está aqui e eu estou também
E com você eu não temo ninguém
Sayonara deixou a vida de pôrra lôca ao entrar pro AA e lá conheceu Castelo, um cara casado e muito feio, desdentado, ninguém sabia o que Sayonara via nele. Mas Sayonara lá no canto dela devia saber.
Você sabe bem de onde eu venho
E no coração o que eu tenho
Tenho muito amor e é só o que interessa,
Sempre aqui, pois a verdade é essa
Quando Sayonara vem aqui em casa e me pega de bom humor, a gente escuta rádio e às vezes canta junto. Sayonara fuma muito, já fumou mais, claro, mas sua voz é rouca como a de um cão e ela sempre fala muito alto. Mais ainda quando o rádio tá ligado.
"Eu cantava demais isso na rádio.
cantava na tevê também. lá em recife.
nessa época ainda não tinha tevê aqui"
Querem acabar comigo
Isso eu não vou deixar

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

a flecha preta

a danada da flecha preta quando entra não se sabe nem por onde se pela frente como bola de bicuda do Branco no meio dos peitos ou se por trás agulha de febre amarela na coluna mas quando é bolada que bate na pele recua um pouco e bate de novo e vai batendo batendo crente de ser água mole em pedra dura mas de duro não tem é nada aqui e segue amassando caixa toráccica apertando os pulmões e deixando a pessoa encolhida sem ar quando vem aquela pntada de facada nas costas pelos rins e uma mão puxando a cabeça da pesoa pra trás respiração diafragmática não existe respiração não existe eu não existo nada existe só essa raiva essa vontade de esguelar de entrar na casa dela e quebrar os azulejos derramar extrato de tomate na cozinha e no banheiro e em cima da cama nos lençóis mijar no fogão na pia na cama no sofá mas pra tanto mijo é breciso beber então tomar as cervejas dela derrubar cerveja nas portas dos vizinhos e soltar as baratas e ratos que catei na rua dentro do guarda-roupa e rasgar as contas guardadas há anos as cartas formatar o computador e não salvar nada envenenar o gato pobre gato mas ninguém mandou e por fim por fim deixar a chave por baixo da porta.
então ,
respiração
diafrag
mática
existe.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

E quando eu for assim pelo céu sem fim sem medo e sem desespero
onde estará você
talvez no inferno que tínhamos combinado de abandonar.

autobiografia sumária

os meus bichos escrotos gostam de formigar meus grilos

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

melô do melô

Um sol de passas ao rum derretendo por sobre as areias caudalosas e inundando dando dando tanto que é preciso algum fel lunar pra suportar tanto tanto tanto melô.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Felicidade. Ledusha, 1984

Nada como namorar um poeta marginal
incendiado
nada como um mingau de maizena empelotado
de tanto amor acumulado
uma casinha em Botafogo
um quarto uma eletrola
uma cartola
&
depois da praia sonhar
que a bossa nova voltou
pra ficar
eu você joão
girando na vitrola sem parar.

sábado, 9 de agosto de 2008

Carta a um amigo

Mas a frase me pareceu importante: um destino a cada vez. E aí um texto na piauí, Alberto Martins o nome do cara, vou até dar uma olhada pra ver se acho mais coisa dele. Nesse texto dois homens fazem uma viagem no meio do deserto. Ele dá lá uns nomes mas pra mim tanto faz o deserto. Deserto é deserto e pronto. Quente de dia, frio de noite, ninguém e nada. Eles estavam de carro neste deserto, e ao pararem pra o radiador esfriar, surge essa conversa, na verdade apenas um deles diz essas coisas, coisas como as linhas do céu e da terra se encontrando e espremendo tudo junto, o Bob Dylan que virou bicho, perda e fantasma e depois uma frase.
- Sabe o que acontece quando um fantasma vai embora?
- Não faço idéia.
- O mundo não fica nem mais leve nem mais livre, fica mais pesado e escuro... porque os fantasmas têm essa missão, eles levam as coisas de um lado pro outro. Eles fazem o trabalho sujo que torna o mundo suportável.
E no título outra palavra boa: trânsito.
Bom, né?
Um beijo.
L.