terça-feira, 23 de setembro de 2008

impeaceable.

tem hora em que todo torpor e motim é só um jeito de permanecer. só.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

basta ter amado uma vez que a gente segue incompleto pro resto da vida.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

poesia esquecida

Amar, do Drummond

Que pode uma criatura senão,entre criaturas, amar?
amar e esquecer,amar e malamar,amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

*como pude esquecer?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

a bad case of stripes

psicótico, neurótico, todo errado
só porque eu quero alguém
que fique vinte e quatro horas do meu lado
no meu coração eternamente colado
no meu coração eternamente colado
(Jorge Mautner. Todo errado)

(desenho de Shannon: A bad case of stripes)