eu vou de mala e cuia eu vou eu vou nem que seja montada na onça eu vou eu vou direto sem olhar pros lados eu vou eu vou correndo voando com meus pés que cada um sozinho vale um passo eu vou eu vou-me embora que por aqui não dá mais pé, que por aqui o inverno queimou tudo de frio, que aqui ninguém sabe mais levantar o canto da boca pra um lagarto colorido.
terça-feira, 24 de junho de 2008
são joão são jorge são você
Meu amor, botei a faca na bananeira e não teve jeito, tudo quanto é letra eu torcia pra ver o seu monograma. Meu amor, o santo antônio vai morrer afogado desse jeito, e o pior é que leva o menino jesus junto. Meu amor, meu amor, de novo queimei perna e vestido pulando a fogueira que a cada ano parece mais alta. Daqui a pouco não dou mais conta... Meu amor, meu amor, quando é que você vem pra eu lhe ensinar a dançar forró e a tomar cachaça com mel? Me diz, quando é que você vem pra me ensinar a namorar?
segunda-feira, 2 de junho de 2008
terceira pessoa
Dessa vez foi N. quem se levantou a foi até a janela. Fez amor de olhos abertos. Fez amor com vários, enquanto com ele. Durante todo o tempo ressentia aquela gota que queria pular e aquela estrada pra canto nenhum, na qual esperava uma carona que não vinha nunca.
N. estava assim na janela pro dia cinza claro. Fumava um cigarro imaginário que bem podia ser o dele. Ficou muito tempo ali, pensando em que diabo de vida era aquela, vida por inércia.
F. se levantou no colchão e por muito tempo olhou o contorno de N. contra a luz. Depois disse como quem bafora a fumaça do cigarro: te amo, neguinha. E a voz saiu como o doce que azedou, de tanto guardado.
N. pensava: moi non plus. E que droga que a gente seja assim, sempre tão atrasados pra a vida, para o amor. E a lágrima já seca teimava em encher a garganta.
Por fim, N. olhou, suspirou, deu um beijo em F. e partiu. N. sem olhar pra trás, como já fez outra vez. F. sem uma lágrima, como sempre faz.
N. estava assim na janela pro dia cinza claro. Fumava um cigarro imaginário que bem podia ser o dele. Ficou muito tempo ali, pensando em que diabo de vida era aquela, vida por inércia.
F. se levantou no colchão e por muito tempo olhou o contorno de N. contra a luz. Depois disse como quem bafora a fumaça do cigarro: te amo, neguinha. E a voz saiu como o doce que azedou, de tanto guardado.
N. pensava: moi non plus. E que droga que a gente seja assim, sempre tão atrasados pra a vida, para o amor. E a lágrima já seca teimava em encher a garganta.
Por fim, N. olhou, suspirou, deu um beijo em F. e partiu. N. sem olhar pra trás, como já fez outra vez. F. sem uma lágrima, como sempre faz.
so long
Ficamos por aqui. Não adianta falar do meu querer. Do seu pouco dado. Tudo já dito redito editado. Conto de depois. Que me doerão os olhos dos outros com os quais eu passarei a te olhar. Ter sido passageira, eu que lhe dei a chave pra morar em mim que eu deixo as portas sempre abertas. Ver você alisando cabelos tão diversos, lisos, vermelhos, azul, como se a textura fosse a mesma, como se fossem iguais aos meus crespos e grossos e negros. O que era rosa vira manjericão muito fácil, porque o cigarro te deixou sem olfato nenhum. Eu, que dentre todos os cheiros de gente vindos de você, nunca consegui identificar o meu. Me doerá, verbo intransitivo.
otário
você não tem a menor idéia de quando você não está. você nem desconfia. das partidas e de todas as distâncias para onde a sua ausência me leva. você não sabe nada. você vai e, quando volta, espera que esteja tudo como antes, tudo destino de homem, previsto, linear. mas isso aqui é terra de mulher, é terra que o vento molda, vento que o mar traz, mar com quem mulher tem pacto, mar que obedece a ciclos lunares. enfim, você simplesmente ignora toda a biologia intergaláctica e o meu ciclo menstrual.
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