se a gente falasse menos
talvez compreendesse mais
teatro, boate, cinema
qualquer prazer não satisfaz
segunda-feira, 31 de março de 2008
domingo, 30 de março de 2008
vômito
eu vou vomitar, corro pro banheiro, mas voê não tá lá pra segurar minha cabeça.
vomito sozinha, sempre, e engul ode novo depois, antes que você chegue, pra que a casa pareça ter estado sempre limpa.
vomito e engulo e vomito de novo. intolerância ao seu leite que você já nem me dá.
e agora vomito de vez, vomito pra sempre, vomito pra fora, com força, pra fora da janela, vomito por cima das casas e prédios, e você vai perdido boiando no vômito, até que eu dê a descarga e pronto.
você já era.
vomito sozinha, sempre, e engul ode novo depois, antes que você chegue, pra que a casa pareça ter estado sempre limpa.
vomito e engulo e vomito de novo. intolerância ao seu leite que você já nem me dá.
e agora vomito de vez, vomito pra sempre, vomito pra fora, com força, pra fora da janela, vomito por cima das casas e prédios, e você vai perdido boiando no vômito, até que eu dê a descarga e pronto.
você já era.
Por não estarem distrídos. Clarice Lispector.
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
memórias conjugais, Paulinho da viola.
Lapidar
Foi a sua frase
Proferida de um jeito natural
Registrei esta preciosidade
Sem alarde
No meu livro de memórias conjugais
-“Tenho asas, meu amor, preciso abri-las
Ao seu lado não sou muito criativa”
Depois dessa
Fui em busca do meu antidepressivo
E afundei
No sofá com meus jornais
Minha cara no espelho já diz tudo
Desconfio de um carma secular
Pelo jeito, eu também sou um embrulho
Mas eu juro, deste muro
Amanhã vou me jogar
Resolvi
Vou tomar uma providência
Pra começar, lá no bar do seu José
Para verSe exorcizo este domingo
– céu nublado
E esta mala
Que não larga do meu pé
Foi a sua frase
Proferida de um jeito natural
Registrei esta preciosidade
Sem alarde
No meu livro de memórias conjugais
-“Tenho asas, meu amor, preciso abri-las
Ao seu lado não sou muito criativa”
Depois dessa
Fui em busca do meu antidepressivo
E afundei
No sofá com meus jornais
Minha cara no espelho já diz tudo
Desconfio de um carma secular
Pelo jeito, eu também sou um embrulho
Mas eu juro, deste muro
Amanhã vou me jogar
Resolvi
Vou tomar uma providência
Pra começar, lá no bar do seu José
Para verSe exorcizo este domingo
– céu nublado
E esta mala
Que não larga do meu pé
criatividade
dana redbull na minha água, vai, sem eu perceber. me dá asas, meu bem, que aqui embaixo a coisa tá muito sem graça.
- "Ao seu lado não sou muito criativa"
- "Ao seu lado não sou muito criativa"
terça-feira, 25 de março de 2008
se não cabê-los, como?
estava trancada ali havia semanas, talvez um trimestre, um bimestre, uma quinzena. não tomava banho, vagava pelo lugar de paredes vazias com um camisola longo. fazia calor, suava. fazia frio, tremia. não sabia se comia. a boca guardava sempre o mesmo gosto. gosto de nada, gosto de si, gosto de horas após a refeição. fome não tinha. antes, após se levantar dos lençóis dele, no banheiro, um fio de cabelo vermelho pálido se misturava aos grossos e pretos de seu sexo. um fio de cabelo que não era seu, não era dele. havia mais gente ali. aquela intimidade compartilhada sem permisssão. aquela invasão em seu sexo. aquele fio misturado ao seu próprio cheiro, seus pêlos. se lavou. se lavou. mas guardou o fio dentro de um livro. jamais estivera com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. tempos depois, no cativeiro em que se via já sem se importar muito, a força estava em reservar energia para a dispendiosa paciência. tempos depois passa a mão em seus cabelos. dali sai um fio quase liso, quase branco, quase castanho escuro. e era seu. tempos antes, na casa de alguém que tinha outro alguém, recusou-se a tomar banho no banheiro do outro alguém. mistura de porre com pudor. no dia seguinte, ao tomar banho em seu próprio banheiro, sai de si um fio longuíssimo, um fio que só podia ser do outro alguém. sim, o mundo é redondo.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Drummond
Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar.
http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=7
http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=7
pode vir quente
pra quê tanta timidez? bota logo aquele vestido que eu gosto, aquela fita no cabelo, e vem me ver. deixa disso e daquilo, esquece o horário comercial, a dieta de saladas e vem fazer uma festa que pra você aqui é prato a la carte sem fastio. deixa esses livros e artigos pra lá, a lâmpada queimada você troca outro dia, vem logo que meu pavio já tá queimando faz é tempo.
quinta-feira, 20 de março de 2008
cansaço
não adiantava dizer você precisa parar de pensar tanto. o caso do elefante rosa com bolinhas amarelas ou verde com bolinhas roxas enfim, sempre o caso de dizer não pensa nisso e a pessoa pensar justamente o nisso. tic tac toc tic tac toc tic tac toc. geladeira, rede, trombeta, carro, cuspe, nuvem, mulheres, homem, zoológico, tesoura, raiva, faca, morte, morte, morte, bomba, veneno, tiro, pomba ora pombas chutar a pomba dívida externa genealogia política brasileira monges do tibete tartaruguinhas marinhas estuprador filho da puta merece morrer com a pele do pau raspada e depois queimada e depois retalhado criança escola barulho contas devolver o filme. a cabeça passeava olulante pela cidade, não parava de falar. rumor de muro, conversa de sapato com o asfalto.
home sweet home. se olhou no espelho. droga droga DROOOOGAAAAAA de cabeça. não aguentava mais nem o espelho. raspou sobrancelhas. insuficiente. cortou cabelos, caminho de ratos. nada. cicatriz. faltava uma cicatriz. com a gilete, corte transversal no contorno dos lábios. gostou. fez outro e outro e mais. foi riscando a linha dos lábios como um perdido esquecido náufrago risca os dias dentro de uma caverna. porque os dias são sempre iguais então como saber se foram mesmo outros e não os mesmos. saía um sanguinho pequeno, coagulava logo, endurecia, formava um risquinho vermelho escuro embolotado bom de lamber. tinha gosto. tinha relevo. olhou de novo. olhou. olhos. cílios. tesoura. não. pinça. pronto. e ali em pé dormiu quinze minutos que pareceram o do sono de uma vida inteira acordada.
terça-feira, 18 de março de 2008
meu nome é gal gal gal galinha galeão galo de briga caipira na panela
Foi um pequeno momento, um jeito, uma coisa assim
Era um movimento que aí você não pode mais
Gostar de mim, direito
Teria sido na praia o medo
Vai ser um erro, uma palavra, a palavra errada
Nada, nada, basta quase nada
E eu já quase não gosto
E já nem gosto do modo que de repente
Você foi olhada por nós
Porque eu sou tímido e teve um negócio
De você perguntar o meu signo quando não havia signo nenhum
Escorpião, sagitário, não sei que lá
Ficou um papo de otário, um papo, ia sendo bom
É tão difícil, tão simples, é tão difícil, tão fácil
De repente ser uma coisa tão grande da maior importância
Deve haver uma transa qualquer pra você, e pra mim
Entre nós
E você jogando fora e agora, vai embora, vá!
Deve haver um jeito qualquer, uma hora!
Há sempre um homem pra uma mulher
Há dez mulheres para cada um
Uma mulher é sempre uma mulher etc., tal
Assim como existe disco voador e o escuro do futuro
Pode haver o que está dependendo
De um pequeno momento puro de amor
Mas você não teve pique e agora
Não sou eu quem vai lhe dizer que fique
Mas você não teve pique, não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique...
Mas você não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Você não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Mas você não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Mas você não teve pique
Não sou eu quem vai
http://www.youtube.com/watch?v=JWTQ6Eico8E
Era um movimento que aí você não pode mais
Gostar de mim, direito
Teria sido na praia o medo
Vai ser um erro, uma palavra, a palavra errada
Nada, nada, basta quase nada
E eu já quase não gosto
E já nem gosto do modo que de repente
Você foi olhada por nós
Porque eu sou tímido e teve um negócio
De você perguntar o meu signo quando não havia signo nenhum
Escorpião, sagitário, não sei que lá
Ficou um papo de otário, um papo, ia sendo bom
É tão difícil, tão simples, é tão difícil, tão fácil
De repente ser uma coisa tão grande da maior importância
Deve haver uma transa qualquer pra você, e pra mim
Entre nós
E você jogando fora e agora, vai embora, vá!
Deve haver um jeito qualquer, uma hora!
Há sempre um homem pra uma mulher
Há dez mulheres para cada um
Uma mulher é sempre uma mulher etc., tal
Assim como existe disco voador e o escuro do futuro
Pode haver o que está dependendo
De um pequeno momento puro de amor
Mas você não teve pique e agora
Não sou eu quem vai lhe dizer que fique
Mas você não teve pique, não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique...
Mas você não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Você não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Mas você não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai
Mas você não teve pique
Não sou eu quem vai
http://www.youtube.com/watch?v=JWTQ6Eico8E
always someone missing something beck
something is always missing
something is always missing
something is always missing
someone is always missing
something is always missing
something is always missing
someone is always missing
segunda-feira, 17 de março de 2008
elle a passé tant d'heures sous les sunlights
foi tempo demais sob o sol. foi pra debaixo dele, cedo, esperando. ficou lá encolhida. queria sentir. sai nuvem, sobe sol. sai nuvem, sobe sol. meio dia, sol que não deixa mentir, que não deixa ver, que aperta a cabeça pra baixo. ela esperava aquela pontada do sol por baixo da pele que fazia queimar tudo muito mais abaixo da pele, muito mais, dentro do osso, talvez. aquela queimadura que aperta um botão. que cutuca, que diz vai, levanta, tá vendo isso aqui? você ainda não morreu. e demorou. ela ficou lá encolhida. suor. gotas caindo demoradamente, desenhando rastros de lesmas no seu rosto. gotas previsíveis, mas de onde? era preciso. esperou ainda algumas horas, encolhida, nua, sob o sol. aos passantes os calombos das vértebras e das costelas, já fazendo sombras. aos passantes aquela mulher nua e encolhida sob o sol. aos passantes aquelas gotas. a ela não. ela concentrava em deserto, em mercúrio. queria ser pedra, via areia, mas as gotas as gotas as gotas e ela ia virando salamandra e o sol já não acionava botão nenhum. foi sol demais.
verbe-me
qualquer coisa, qualquer coisa
tell me something sweet
put some sugar on my bowl
me tira dessa cascata de sem-gracices
dessa casca de um amendoim só
qualquer coisa, qualquer coisa
me mostra uma estrela
tira um poema de trás da minha orelha
e uma moeda de vidro rosa do meu nariz
faz desse dia estático um telefonema às 2 da madrugada
me conta safadezas, diz o que fez com a minha calcinha
fala que tava doido pra falar comigo mas não tinha crédito no celular
e diz que não vai me deixar ir embora nem que pra isso tenha que me bater
tell me something sweet
put some sugar on my bowl
me tira dessa cascata de sem-gracices
dessa casca de um amendoim só
qualquer coisa, qualquer coisa
me mostra uma estrela
tira um poema de trás da minha orelha
e uma moeda de vidro rosa do meu nariz
faz desse dia estático um telefonema às 2 da madrugada
me conta safadezas, diz o que fez com a minha calcinha
fala que tava doido pra falar comigo mas não tinha crédito no celular
e diz que não vai me deixar ir embora nem que pra isso tenha que me bater
sábado, 15 de março de 2008
veja cá
cinqüenta gramas de amor
veja lá
é um bocadinho
vinte gramas até
venha cá
é tão pouquinho
eu vou morrer se você não quiser me arranjar um pecadinho
veja lá
é um bocadinho
vinte gramas até
venha cá
é tão pouquinho
eu vou morrer se você não quiser me arranjar um pecadinho
terça-feira, 11 de março de 2008
beria de rio
quem nasce em beira de rio é de pé n'água
é de dedos cravados na terra lamacenta, duvidosa
é de pele de sombra, voz de folha
é de ouvido assovio
é de olho no mar, porque o rio não tem outro destino
é de dedos cravados na terra lamacenta, duvidosa
é de pele de sombra, voz de folha
é de ouvido assovio
é de olho no mar, porque o rio não tem outro destino
do coração tripas
boca de muchiba
não me venha com churumelas
necas de pitipiriba
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_g%C3%ADrias
não me venha com churumelas
necas de pitipiriba
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_g%C3%ADrias
mas ainda
mais ainda
a janela apareceu da nada, se abriu e ficou gigante enquanto a obra da casa avancaca, e depois, nao por culpa dela che sempre tento so de se expandir, teve que ficar, bem menor, mais ainda existente.
http://www.fiorentinas.blogspot.com/
a janela apareceu da nada, se abriu e ficou gigante enquanto a obra da casa avancaca, e depois, nao por culpa dela che sempre tento so de se expandir, teve que ficar, bem menor, mais ainda existente.
http://www.fiorentinas.blogspot.com/
e aposentei os meus agrados
Minhas Razões (Antonio Carlos & Jocafi)
eu tenho cá minhas razões
pra abandonar esse carinho mal-arrumado
naturalmente nem pensou que o nosso amor
anda vencido e protestado
cheguei à triste conclusão dessa união
e aposentei os meus agrados
abasteceu de ingratidão um coração
tremendamente apaixonado
eu tenho cá minhas razões
pra abandonar esse carinho mal-arrumado
naturalmente nem pensou que o nosso amor
anda vencido e protestado
cheguei à triste conclusão dessa união
e aposentei os meus agrados
abasteceu de ingratidão um coração
tremendamente apaixonado
segunda-feira, 10 de março de 2008
falo e calo
eu falo
você olha
você olha
você estranha
você se esforça
eu falo. eu falo. eu falo.
FA-LO.
você não entende
calo.
meu calo.
você olha
você olha
você estranha
você se esforça
eu falo. eu falo. eu falo.
FA-LO.
você não entende
calo.
meu calo.
bilhetinho azul
meu irmão, brother,
pra mim você venceu. venceu, venceu, venceu o prazo de validade.
o leite talhou ado-ado-ado o seu leite é estragado.
você voltou a feder a todas as bucetas de banheiro que você já chupou (mal).
e escovar os dentes não resolve. lavou não tá novo. e você tá velho.
como as pedras que rolam na estrada, meu bem.
e essa ânsia de vômito eu passo. passo e repasso.
passar bem.
pra mim você venceu. venceu, venceu, venceu o prazo de validade.
o leite talhou ado-ado-ado o seu leite é estragado.
você voltou a feder a todas as bucetas de banheiro que você já chupou (mal).
e escovar os dentes não resolve. lavou não tá novo. e você tá velho.
como as pedras que rolam na estrada, meu bem.
e essa ânsia de vômito eu passo. passo e repasso.
passar bem.
meu coração de papel
de papel carbono
de papel celofane
de papel machê
papel de pão
de papel higiênico
de papel de folhetim
de papel celofane
de papel machê
papel de pão
de papel higiênico
de papel de folhetim
domingo, 9 de março de 2008
Marcha do sol nas regiões temperadas. Moacyr Scliar.
Hospeda-se numa pensão - e durante três dias não consegue sair: chora sem parar. Chora pela filha. Chora pelo pai. Chora pela irmã. Chora por si mesma. Chora, chora: todas as lágrimas que conteve em meses, agora brotam em jorro.
Na manhã do terceiro dia, pára subitamente de chorar. Chega, diz com determinação. Agora vamos ao que interessa.
---
Ah, São Paulo. Ah, o Brasil. Tudo vai bem no Brasil, é o que ela ouve dizer: este país tem de tudo, automóveis, rádios, bicicletas. O presidente é risonho e simpático. Aqui só não vai pra frente quem não quer, garantiu-lhe a dona da pensão, acrescentando:
- Mas cuidado para não cair na vida.
Não cairá, seu destino foi traçado sob o sol bondoso de Santa Catarina: para o norte e para cima. Atravessa rua, compra um jornal e percorre os anúncios de emprego.
feng shui
eu vou limpar a casa. livros emprestados, cartas não-enviadas, desenhos em guardanapo. tudo na caixinha na dispensa. vou parar de fumar. vou comer mais salada. vou ler mais. vou comprar mais livros, mais revistas. vou cuidar do meu cabelo. vou cuidar do meu coração. faxina nele. regar com água insípida. esfregar. quarar. brotar um jardim só de flores novas.
vou arranajr um emprego. vou arrumar uma casa. vou ter plantas. vou aprender a cozinhar. vou comer nos horários certos. vou fazer meus exames regularmente. não vou tomar mais doce. vou beber menos. vou escutar mais música, música nova. vou viajar mais, te comprar uns bibelôs do chuí. vou fazer faça você mesmo e vai ficar bonito. vou fazer depilação definitiva. vou visitar minha família. vou passar um tempo no mato. vou experimentar o budismo. tantra. vou comprar uma barraca de camping. vou acampar. vou ficar saudável. aí sim.
vou arranajr um emprego. vou arrumar uma casa. vou ter plantas. vou aprender a cozinhar. vou comer nos horários certos. vou fazer meus exames regularmente. não vou tomar mais doce. vou beber menos. vou escutar mais música, música nova. vou viajar mais, te comprar uns bibelôs do chuí. vou fazer faça você mesmo e vai ficar bonito. vou fazer depilação definitiva. vou visitar minha família. vou passar um tempo no mato. vou experimentar o budismo. tantra. vou comprar uma barraca de camping. vou acampar. vou ficar saudável. aí sim.
Assinar:
Comentários (Atom)