Hospeda-se numa pensão - e durante três dias não consegue sair: chora sem parar. Chora pela filha. Chora pelo pai. Chora pela irmã. Chora por si mesma. Chora, chora: todas as lágrimas que conteve em meses, agora brotam em jorro.
Na manhã do terceiro dia, pára subitamente de chorar. Chega, diz com determinação. Agora vamos ao que interessa.
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Ah, São Paulo. Ah, o Brasil. Tudo vai bem no Brasil, é o que ela ouve dizer: este país tem de tudo, automóveis, rádios, bicicletas. O presidente é risonho e simpático. Aqui só não vai pra frente quem não quer, garantiu-lhe a dona da pensão, acrescentando:
- Mas cuidado para não cair na vida.
Não cairá, seu destino foi traçado sob o sol bondoso de Santa Catarina: para o norte e para cima. Atravessa rua, compra um jornal e percorre os anúncios de emprego.
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