foi tempo demais sob o sol. foi pra debaixo dele, cedo, esperando. ficou lá encolhida. queria sentir. sai nuvem, sobe sol. sai nuvem, sobe sol. meio dia, sol que não deixa mentir, que não deixa ver, que aperta a cabeça pra baixo. ela esperava aquela pontada do sol por baixo da pele que fazia queimar tudo muito mais abaixo da pele, muito mais, dentro do osso, talvez. aquela queimadura que aperta um botão. que cutuca, que diz vai, levanta, tá vendo isso aqui? você ainda não morreu. e demorou. ela ficou lá encolhida. suor. gotas caindo demoradamente, desenhando rastros de lesmas no seu rosto. gotas previsíveis, mas de onde? era preciso. esperou ainda algumas horas, encolhida, nua, sob o sol. aos passantes os calombos das vértebras e das costelas, já fazendo sombras. aos passantes aquela mulher nua e encolhida sob o sol. aos passantes aquelas gotas. a ela não. ela concentrava em deserto, em mercúrio. queria ser pedra, via areia, mas as gotas as gotas as gotas e ela ia virando salamandra e o sol já não acionava botão nenhum. foi sol demais.
segunda-feira, 17 de março de 2008
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