Disse que ia montar uma casa mim, com tudo dentro, geladeira, roupa, comida. Disse que ia me tirar daquela vida... qual o quê. Me botou foi num quartinho de cem reais por mês, arranjou um fogão “praticamente novo” e o colchão da gente dormir já veio encapado com um lençol. “Praticamente novo” meu ovo. Num sabe que isso é coisa de mulher? Que homem que vai fazer ou mandar fazer capa pra colchão? Minha amiga, esse é irmão desse. Mas... eu fui, né? A vida aqui na zona tinha ficado difícil, entrou um comandante, coronel, sargento, sei lá... só sei que tiraram o Bento das rondas daqui. E sem o Bento eu tinha que dar de graça pr’aqueles nojentos. Olha, eu dou pra qualquer um, até de graça, mas não me bote um polícia não... Chega me arrepio. Aí fui, né. Ele ainda me deu uns trocados pra comprar umas coisinhas, deixar a casa com a minha cara. E bem ou mal a gente ia vivendo. Não era legal dar sempre pro mesmo cara, ainda mais um que me batia por causa do pau pequeno. Mas era melhor com ele que com a polícia. Éca. Aí pouco tempo depois a Dizinha, minha irmã, veio passar uns tempos comigo. A mãe botou ela pra fora, ela não tinha pra onde ir e eu me comovi. Tivesse tido alguém por mim talvez minha vida fosse outra. Então botei a Dizinha dentro de casa. Só que os olhos da boyzinha foram crescendo pra cima das mixarias que aquele safado me dava, do mesmo jeito que os zarolhos do safado foram crescendo pra Dizinha. Tava já vendo a hora dele botar ela no meu lugar. Pois. Dito e feito. Não deu um mês com a danada lá em casa, o safado veio conversar comigo, dizer que o amor michou. Que mané michou, seu porcaria, eu lá entendo essas coisas? E quem falou em amor? O que ele queria era deixar de pagar o quartinho e levar as coisas com ele. Ah... mas isso de jeito nenhum! Nesse dia eu puxei a faca e perguntei se ele queria levar uma furada no peito. Que se quisesse, era só dizer, mas que ele não ia levar nada daquela casa, só a roupa do corpo e a boyzinha, e ainda cobrei adiantado o aluguel de seis meses. Veado... Ele saiu por aí dizendo que foi assaltado, coitado, foi bater na manzuá sem um real no bolso, com medo das minhas amizades. Homem frouxo é o pior que tem. Mas eu fui burra. Meu deus, como eu fui burra. Do fogão que ele comprou a Seu Valdir o veado só pagou dois meses. O resto sobrou pra mim. E aí então veio o Seu Valdir... fazer o quê? Não era tão legal assim, mas pelo menos não era polícia.
sábado, 7 de março de 2009
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