Dessa vez foi N. quem se levantou a foi até a janela. Fez amor de olhos abertos. Fez amor com vários, enquanto com ele. Durante todo o tempo ressentia aquela gota que queria pular e aquela estrada pra canto nenhum, na qual esperava uma carona que não vinha nunca.
N. estava assim na janela pro dia cinza claro. Fumava um cigarro imaginário que bem podia ser o dele. Ficou muito tempo ali, pensando em que diabo de vida era aquela, vida por inércia.
F. se levantou no colchão e por muito tempo olhou o contorno de N. contra a luz. Depois disse como quem bafora a fumaça do cigarro: te amo, neguinha. E a voz saiu como o doce que azedou, de tanto guardado.
N. pensava: moi non plus. E que droga que a gente seja assim, sempre tão atrasados pra a vida, para o amor. E a lágrima já seca teimava em encher a garganta.
Por fim, N. olhou, suspirou, deu um beijo em F. e partiu. N. sem olhar pra trás, como já fez outra vez. F. sem uma lágrima, como sempre faz.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
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